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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Educação Legitimada


O professor é (ou deveria ser) um agente de transformação da sociedade, quando, exercendo sua influência e apresentando novas possibilidades aos seus alunos, permite que os mesmos possam exercer sua cidadania plenamente e com responsabilidade.
Os políticos brasileiros utilizam a educação como mecanismo de alavancagem de votos, aproveitando-se da ignorância de boa parte da população que acredita em promessas desprovidas de fundamentos.
Soluções reais para nosso sistema educacional passam por investimentos na área, mas não aqueles que servem apenas de vitrine eleitoral, como compra de computadores, instalação de ar-condicionados, informatização do sistema de notas, dentre outros. O último resultado do ENEM mostrou que essas são medidas ilusórias, eleitoreiras.
A melhoria da educação passa pelo investimento em recursos humanos, como valorização do professor, fixando um piso justo, que possibilite sua dedicação exclusiva à escola, sem necessidade de complementação em outras.
Se nossos políticos realmente pensassem em melhoria educacional, incluiriam no currículo disciplinas de direito, as quais garantiriam aos alunos uma compreensão do processo político, uma aceitação do processo eleitoral como garantia de uma democracia conquistada com muita luta e que parece ter sido desvalorizada em meio a tanta corrupção.
Na última quinta-feira eu entrei em sala de aula às 21h, como de costume, e enfrentei resistência de alguns alunos em relação ao cumprimento de uma tarefa que havia deixado. Passei para eles uma dissertação com o tema: "a importância da formação política do cidadão". Fiquei admirado de observar que os alunos não tinham interesse nenhum no tema, mas ainda mais me admirou que outro professor ficou contrariado com o fato do tema não estar relacionado à minha disciplina (química).
Ora, quer dizer que a tarefa de educar foi substituída pela de instruir? Voltamos ao tecnicismo, excluindo nossos alunos de buscar uma reflexão a cerca da importância de seu papel na sociedade?
Parece que a estratégia dos políticos responsáveis pela administração deste país está dando tanto certo que já abrange os proprios agentes, formadores de opinião, que parecem se limitar a cumprir a burocrática tarefa de respeitar seus horários e reproduzir disciplinas descontextualizadas.
O Brasil não pode dar certo, não existe governante que o concerte. Porque um país é a expressão de seus cidadãos, e os nossos nem sabem o que é cidadania.

A produção de expectativas no trabalho

O mundo coorporativo é feito de regras e expectativas, as quais nem sempre são correspondidas pelos seus agentes: os trabalhadores.
O setor de educação, fazendo uma analogia, possui também seus agentes: os alunos, aos quais são delegadas inúmeras tarefas a fim de impulsionar o processo educacional, tarefas essas delegadas pelos seus subgerentes: os professores, os quais respondem diretamente ao gerente-coordenador.
Criou-se um estigma de que os trabalhos escolares são bônus, maneiras dos professores aprovarem os alunos sem exigir um maior conhecimento da disciplina, sem maior esforço, conceito deturpado, uma vez que são várias as maneiras de se avaliar um aluno, sendo os trabalhos de pesquisa uma delas.
Como instrumento de avaliação, os trabalhos de pesquisa apresentam vantagens em relação aos testes e às provas, pois exigem dos alunos habilidades diversas, como uso da internet como instrumento de pesquisa, habilidades de informática, identificação de temas relevantes e articulação das idéias dentro de um texto, apresentação de seminários (quando for o caso) com boa desenvoltura, entre outras.
O autor Richard Templar, no livro As Regras do Trabalho, nos apresenta sugestões para alcançarmos com mais eficiência as metas sugeridas pelos nossos chefes no trabalho, em especial a REGRA 1.5 - PROMETA POUCO E PRODUZA MUITO, a qual transcrevo.

Se você achar que pode completar a tarefa até quarta-feira, diga que vai entregá-la na sexta-feira. Se calcular que seu departamento vai levar uma semana para fazer o que foi pedido, peça duas. (...)

Isso não é desonestidade, é prudência. Se por acaso seus superiores perceberem que você age assim, então admita abertamente que, ao fazer seus cálculos, sempre deixa uma margem de segurança para não ter problemas com imprevistos. Ninguém vai matá-lo por admitir que é cuidadoso.
Esse é o primeiro truque. Prometa sempre menos do que pode fazer. E só porque você disse que acabaria na sexta-feira, que ia levar duas semanas ou qualquer outra coisa, não significa que pode terminar o serviço e aproveitar o resto do tempo para descansar. Claro que não. O que você tem de fazer é se esforçar para completar a tarefa ou entregar o pedido antes e por menos do que tinha orçado. E essa é a segunda parte. Entregue sempre mais do que prometeu. Ou seja, se você se comprometeu a fazer aquele relatório até segunda-feira, ele tem de estar pronto dentro do prazo - mas isso não é tudo: ele deve conter em anexo os planos completos para a implementação das novas instalações. Ou, se você ficou de apresentar uma proposta do novo catálogo da empresa na próxima reunião, nessa data entregará muito mais: uma prova impressa em cores, com o texto revisado, as fotos que ilustrarão e um orçamento final dos custos de impressão, além de uma previsão das cotas de distribuição. Obviamente você precisa ter cuidado para não ultrapassar seus limites ou assumir responsabilidades que nunca lhe foram atribuídas, mas acho que já entendeu o espírito da coisa.
(...)
Quando você promete pouco e entrega muito, precisa ater-se a um padrão - no seu caso, isso significa que você nunca vai deixar de cumprir o prazo nem realizar menos do que prometeu. Mesmo que tenha de dar seu sangue e trabalhar a noite inteira. Por isso, é melhor negociar um prazo mais longo desde o começo do que deixar alguém na mão. A maioria das pessoas fica tão ansiosa, quer tanto que seu trabalho seja reconhecido e elogiado, que acaba concordando com o primeiro prazo oferecido - "Ah, sim, posso entregar nessa data" - e depois simplesmente não consegue cumprir. Esses profissionais demonstram logo de cara que são fáceis de controlar e se revelam incompetentes no final.

Podemos observar na leitura do texto que nem sempre a aceitação de prazos gera um reconhecimento do trabalho. Pode ser mais vantajosa uma discussão para ampliação do prazo de entrega das tarefas, garantindo um melhor resultado a longo prazo.

Supere as espectativas, seja regular, crie uma imagem boa e trabalhe essa imagem.
O autor Andrew Matthews, em seu livro Siga seu Coração, diz que uma pessoa não é definida pelo que faz um vez, esporadicamente, mas sim pelo que faz repetidas vezes, com constância. Esse é o seu rótulo. É mais fácil destruir uma reputação do que construí-la.
Quando uma tarefa surgir, devemos:
- discutir os prazos;
- cumprir a tarefa com dedicação
- entregá-la com rapidez
- fazer mais do que foi pedido
Essas são as dicas para aumentar seu conceito como profissional, seja numa empresa, na escola ou na vida.